domingo, 4 de maio de 2014

Noel, 77 anos de saudade

Por Ramona Gemaque

Tive uma conversa de botequim com Noel Rosa, pedi que ele me ajudasse a realizar meu último desejo: esquecer aquele rapaz folgado que, junto com minha fita amarela, levou consigo minha felicidade. 

Segui seus conselhos: deixei de lado a filosofia, adotei o positivismo, peguei minha viola e toquei um samba popular na varanda do meu barracão...

Lembrei do riso de criança que se perdeu em alguma esquina da vida e percebi o quanto fui ingênua por me deixar levar por um malandro medroso. 

Quando o samba acabou, olhei para o belo horizonte à minha frente, e percebi que Deus sabe o que faz. 

Cordiais saudações, Adeus!



Fabio Gomes e Ramona Gemaque
(foto: Prsni Nascimento)

Baixe a biografia de Noel Rosa por João Máximo & Carlos Didier

Hoje faz 77 anos que Noel Rosa deixou este mundo para ir sambar eternamente em todas as festas do Céu. Dia ideal para dar um presente aos leitores deste modesto blog: a versão em pdf da biografia mais completa já feita sobre o Poeta da Vila: Noel Rosa, uma Biografia, de João Máximo e Carlos Didier.

Lançado pela editora da UnB em 1990 e jamais reeditado, o livro hoje é uma raridade bibliográfica, os exemplares existentes podem chegar a R$ 449,00 no site Mercado Livre.

A possibilidade de uma nova edição existe, depois que, no ano passado, os herdeiros de Noel retiraram o embargo à obra que mantinham desde 2004. A edição original se esgotara em 1994, e os dois autores não se falam desde 1997. Mas, enfim, aberta a possibilidade de a obra voltar legalmente às livrarias, negociações começaram, e aí houve novo impasse: Máximo quer aceitar a proposta que recebeu da Companhia das Letras, enquanto Didier dá prioridade à José Olympio.

Enfim, ficamos na torcida para que os impasses se resolvam. Enquanto isso, você pode acessar aqui o texto integral original, sem fotos ou ilustrações. Esta versão em pdf foi elaborada por nós a partir da versão em arquivo txt disponível no site Minhateca


Clique na imagem para
baixar o pdf





terça-feira, 4 de março de 2014

Poetisa amapaense homenageia Noel Rosa em pleno Carnaval



Na manhã desta Terça-Feira Gorda, a poetisa Andreza Gil, de Macapá (AP), postou em seu Facebook uma homenagem a Noel Rosa e à sua Vila Isabel. Na foto ao lado, vemos Andreza numa das calçadas musicais, durante sua visita ao Rio de Janeiro, no ano passado. Leia o poema abaixo,  e veja no final do post fotos feitas pela própria Andreza durante sua visita à Vila - na ocasião, recentemente havia ocorrido o furto de uma cadeira e do copo que compõem o conjunto da escultura. 

***

Vila Isabel 


Bairro de boemia é a Vila
Vila do samba
Vila do carnaval
Vila de Noel Rosa
Das suas partituras pela rua.
Tapete musical que só tem na Vila.
Vila também é o bar da esquina.
 Bar de que esquina?
Em frente ao Vila.

Andreza Gil







domingo, 9 de fevereiro de 2014

Carmen Miranda canta Noel Rosa


9 de fevereiro não é só o dia em que Ary Barroso partiu, em 1964. É também a data em que Carmen Miranda nasceu, há 105 anos. Vamos ouvir aqui as quatro músicas de Noel Rosa que ela gravou.

Carmen e Noel atuaram juntos uma única vez, numa série de shows intitulada 2º Broadway Cocktail, no Cine-Teatro Broadway (Cinelândia, Rio de Janeiro), de 8 a 21 de agosto de 1932. O dono do cinema, Generoso Ponce, tivera a idéia de reunir astros da música para cantar antes do filme, cobrando para a verdadeira sessão dupla (já que era um show de quase duas horas, mais um longa-metragem) pouco mais que o valor de um ingresso habitual. Saía barato, de qualquer modo, para ver ao vivo, em duas sessões diárias (17h e 21h) não só Carmen e Noel, mas também Francisco Alves e Almirante, acompanhados pelos músicos João Martins, Josué de Barros, Carlos Lentini e Jacy Pereira (Gorgulho). É dessa temporada a foto que reproduzimos acima.

A esta altura, Carmen já gravara duas músicas de Noel, ambas em maio daquele mesmo ano (quando Noel estava em uma excursão por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, ao lado de Francisco Alves, Mário Reis, Pery Cunha e Nonô). A primeira, um samba que foi a primeira parceria de Noel com Cartola a ser gravada, "Tenho um Novo Amor". Carmen, não se agradando do estribilho original (Tenho um novo amor/ Tenho um novo amor/ Que vive pensando em mim/ Não quer me ver sujo nem rasgado/ Gosta que eu ande assim bem trajado), alterou os dois últimos versos (que ficaram Não quer me ver triste nem zangada/ Gosta que eu ande assim engraçada). 


" TENHO UM NOVO AMOR " (samba)
(Cartola - Noel Rosa)
Com Grupo da Guarda Velha (dir. Pixinguinha)
Victor 33.575-B (matriz: 65486)
Data da gravação: 11/5/1932
Lançamento: julho de 1932




Vinte dias depois, foi a vez de Carmen gravar uma das raras marchas da autoria de Ismael Silva:


" ASSIM, SIM! " (marcha)
(Noel Rosa - Ismael Silva - Francisco Alves)
Com Harry Kosarin e Seus Almirantes
Victor 33.581-A (matriz: 65502)
Data da gravação: 31/5/1932
Lançamento: dezembro de 1932




A terceira música reuniu pela única vez num estúdio de gravação Carmen e Francisco Alves, então os maiores cartazes do rádio. Uma façanha de Noel, que seu parceiro na marcha, Nássara, jamais soube como foi possível. 

Francisco Alves e Carmen Miranda


" RETIRO DA SAUDADE " (marcha urbanística)
(Nássara - Noel Rosa)
Com Diabos do Céu  (dir. Pixinguinha)
Victor 33.827-A (matriz: 79676)
Data da gravação: 10/9/1934
Lançamento: outubro de 1934




A última marcha de Noel que Carmen levou ao disco era uma parceria com Hervê Cordovil, composta quando o Poeta da Vila recuperava-se da tuberculose em Belo Horizonte, no começo de 1935. 


" O QUE É QUE VOCÊ FAZIA? " (marcha)
(Hervê Cordovil - Noel Rosa)
Com Grupo Odeon
Odeon 11.324-A (matriz: 5232)
Data da gravação: 2/1/1936
Lançamento: fevereiro de 1936




Noel Rosa não era propriamente um entusiasta do estilo de canto de Carmen Miranda, tanto que sua biografia por João Máximo e Carlos Didier registra pelo menos dois casos em que, ao conhecer jovens cantoras, sugeriu na hora que buscassem fugir da influência da intérprete de "Taí". Uma foi Elizeth Cardoso, que ao dizer a Noel que não tinha repertório próprio, foi presenteada com "Quem Ri Melhor". Outra, antes dela, foi Aracy de Almeida. Foi a ela, aliás, que Noel disse uma frase que ficou célebre: Isso é samba ou aquela outra coisa que a Carmen Miranda canta? 


Noel Rosa canta Ary Barroso

Em seus programas no rádio carioca, Noel Rosa volta e meia cantava músicas de outros compositores. Mas quando ia gravar, era invariável: só levava ao disco temas de sua autoria (num pioneirismo, aliás, ainda com escasso reconhecimento). Apenas em uma ocasião Noel se permitiu fugir à regra - e a música em questão era de autoria de Ary Barroso, compositor cujos 50 anos de falecimento lembramos hoje. 

Em 31 de julho, o cantor João Petra de Barros gravou na Odeon dois sambas de Ary Barroso para um mesmo disco. No lado A, registrou "Duro com Duro". Ficou para o lado B "Sentinela Alerta", para o qual convidou Noel para gravar junto - não em dueto, como aconteceria poucos meses depois (em outubro, os dois, Petra e Noel, gravaram "Feitiço da Vila", de Vadico e Noel), mas cada um cantando em separado, num raro caso de samba da época escrito sem refrão e gravado sem coro. Coube a Noel o trecho que começa em "Sou qual pássaro ferido..." e acaba junto ao início da passagem instrumental. Os timbres dos dois cantores se assemelham, com a diferença de que Petra usava o vibrato e Noel não.


"SENTINELA ALERTA" (samba)
(Ary Barroso)
João Petra de Barros e Noel Rosa com Orquestra Odeon
Odeon 11.146-B (matriz: 4886)
Data da gravação: 31/7/1934
Lançamento: setembro de 1934 




  • Bônus: Noel participara antes da gravação de três músicas de Ary Barroso, na época em que integrava o Bando de Tangarás:

  • "É DO OUTRO MUNDO" (samba) (Ary Barroso) Vocal Almirante - Com Orquestra Guanabara   disco Parlophon 13.290-A (matriz: 131065) Lançamento: janeiro de 1931


  • "NEGA BAIANA" (samba) (Ary Barroso - Olegário Mariano) Vocal: Elisa Coelho - disco Parlophon 13.321-A (matriz: 131154) Lançamento: julho de 1931

  • "POR CONTA DO BONECO" (samba) (Ary Barroso) Vocal: Almirante - disco Parlophon 13.322-A (matriz: 131150) Lançamento: julho de 1931


Ary Barroso, parceiro de Noel Rosa

Hoje completam-se 50 anos do falecimento de Ary Barroso, um dos maiores nomes da música brasileira em todos os tempos. Ary foi amigo de Noel Rosa (inclusive coube-lhe fazer um discurso no velório de Noel, em 5 de maio de 1937), sendo seu parceiro em três sambas, cujas gravações originais vamos ouvir aqui.

Ary teve seu primeiro sucesso no carnaval ("Vamos Deixar de Intimidade", lançado por Mário Reis, seu colega na Faculdade de Direito)  em 1929, mesmo ano em que Noel começou a carreira no Bando de Tangarás. Se em 1931 Noel teve o maior sucesso no carnaval carioca com "Com que Roupa?", no ano anterior a primazia coube a Ary com sua marcha "Dá Nela", na voz de Francisco Alves. Mas os dois só foram se conhecer quando, em abril de 1931, estréia no Teatro Recreio (Rio de Janeiro) o espetáculo de teatro de revista Café com Música, com oito músicas de Noel, que por esse motivo teve seu nome colocado em primeiro lugar no cartaz da peça, a pedido de Eratóstenes Frazão, um dos autores do texto (sob o protesto de Ary Barroso, que considerava Noel então "um novato". Para equilibrar, no anúncio dos jornais o nome de Ary vinha em primeiro e o de Noel em último). Também eram autores Maciel Pereira e Léo Grim. 

Meses depois, nova peça no mesmo teatro - Mar de Rosas, de Gastão Penalva e Velho Sobrinho, estreada a 24 de julho de 1931 - traz a primeira parceria dos dois, "Iça a Vela", letra de Noel para música de Ary, cantada por Sílvio Caldas - que a gravou no mesmo ano, já com o título de "Mão no Remo".

Sílvio Caldas


" MÃO NO REMO! " (samba)
(Noel Rosa - Ary Barroso)
Com orquestra
Victor 33.479-A (matriz: 65247)
Data da gravação: 7/10/1931
Lançamento: novembro de 1931



No ano seguinte, Noel assistiu a outra revista, Vai com Fé, também no teatro Recreio, e gostou muito de um samba de Ary que ouviu - um samba com nada menos de três (!) títulos: "Santa Padroeira", "Zélia Fortunata" e "Não tem Bandeira". Aliás, o correto seria dizer que gostou da melodia, mas não da letra, tanto que se propôs a escrever uma nova, mantendo o refrão. Com a concordância de Ary, nasceu a segunda parceria: "De Qualquer Maneira", que Noel não chegou a ouvir em disco, pois só foi gravada por Déo sete anos depois.

Déo


"DE QUALQUER MANEIRA" (samba)
(Ary Barroso - Noel Rosa)
Com Conjunto Odeon
Odeon 11762-A (matriz: 6087)
Data da gravação: 12/5/1939
Lançamento: setembro de 1939




A terceira parceria, "Estrela da Manhã", foi escrita em 1933, sendo gravada por Francisco Alves e a cantora Madelou Assis, de breve carreira fonográfica. 

Francisco Alves e Madelou Assis


" ESTRELA DA MANHÃ " (samba)
(Noel Rosa - Ary Barroso)
Com Orquestra Odeon
Odeon 11.079-B (matriz: 4745)
Data da gravação: 9/11/1933
Lançamento: dezembro de 1933




  • Bônus: Noel chegou ainda a fazer mais uma letra para samba de Ary, mas no caso tratava-se de uma paródia. O samba "Foi Ela", sucesso do carnaval de 1935, virou "Foi Ele" nas mãos de Noel, que fez a adaptação para sua opereta radiofônica Ladrão de Galinha, feita quando Noel trabalhou na Rádio Clube do Brasil, a convite de Almirante, tendo os dois a idéia de ter um programa semanal com paródias de óperas famosas, que seriam ambientadas no Rio de Janeiro. Mas se, em O Barbeiro de Sevilha, que virou O Barbeiro de Niterói, Noel chegou de fato a parodiar libretos existentes, Ladrão de Galinha é história original sua (leia o texto aqui), que não chegou a ir ao ar na época (só foi apresentada em 1951 no programa No Tempo de Noel Rosa). Abaixo, a letra da paródia de Noel para o samba de Ary Barroso: 

FOI ELE

Quem roubou o meu capão de estimação?
Foi ele...
Quem abriu o meu portão para o ladrão?
Foi ela...
Depois ele tropeçou... ô...ô
Mas meu galo não se machucou
Quem parou porque a carroça atropelou?
Foi ele... 

Foi um galo que cantou... ô...ô
Um cachorro que acordou... ô...ô
Quem comeu sempre galinha na cozinha?
Foi ele!


quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Assista o documentário De Minas a Noel, de 1987

Neste dia de Natal, disponibilizamos aqui no blog a íntegra do documentário De Minas a Noel, produzido em 1987, ano do cinquentenário da morte do Filósofo do Samba. O vídeo, inicialmente pensado para ser um trabalho acadêmico da cadeira de Teoria Literária do curso de Letras da Faculdade de Muriaé, interior de Minas Gerais, pelas então alunas Ana Cristina Rodrigues, Carla Cristina Amaral, Luciane Machado, Marília Lopes e Wanda Lucia Aguiar, é hoje um documento precioso, tendo em vista que reúne depoimentos de dois contemporâneos de Noel, ambos já falecidos - o compositor João de Barro, o Braguinha, seu parceiro, e o pianista Alcyr Pires Vermelho -, além de grandes nomes da MPB como Chico Buarque e Ruy Faria, que à época integrava o MPB-4, que naquele ano homenageava Noel com o show Feitiço Carioca. 

O vídeo inicia com um esboço biográfico de Noel, apresentado pelas autoras num parque em Muriaé, e encerra com Ana Cristina conduzindo o espectador a um passeio pelos lugares do Rio de Janeiro ligados à vida e obra de Noel Rosa, como os Arcos da Lapa e as calçadas musicais de Vila Isabel.

O material, após ser apresentado como trabalho de aula, ficou guardado com as autoras até 2008, quando minha amiga professora Vânia Correia Pinto, também de Muriaé e residente no Rio de Janeiro, comentou comigo a respeito de sua existência. (Vânia é a responsável pelo Projeto Brasileirinho, que trabalha com alunos de Filosofia do ensino médio conteúdos desenvolvidos a partir do CD Brasileirinho, de Maria Bethânia). Como eu demonstrei interesse, Vânia me colocou em contato com Ana Cristina, que fez uma cópia em CD-R do antigo VHS e me enviou pelo Correio.

Imediatamente pedi autorização de Ana Cristina e suas antigas colegas para disponibilizar o material no YouTube e também em meu site Brasileirinho, e também para exibições públicas. Cheguei a fazer cinco sessões do filme em Porto Alegre: três sessões comentadas em 2008 no auditório da loja Manlec (onde na época realizei um ciclo de palestras sobre figuras da música brasileira, inclusive Noel Rosa), e mais duas em 2009. A primeira, no primeiro sábado de maio, para alunos da Oficina de Samba e Choro do Santander Cultural, seguida de apresentação de cantores e instrumentistas da Oficina. Em setembro de 2009, fiz outra sessão comentada dentro do projeto Cultural Movies do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano. No YouTube, a maioria dos vídeos tem poucas visualizações, algo em torno de 700 a mil e poucas, com exceção da entrevista com Braguinha, a recordista com mais de 13 mil views até agora. Imagino que o número possa aumentar, em função de hoje eu ter (com um indesculpável atraso...) enfim agrupado os 8 vídeos em uma playlist, que é o que você poderá assistir logo a seguir.

Alguns trechos do filme estão um pouco comprometidos pela ação do tempo sobre a fita VHS, mas creio que não chegam a atrapalhar a fruição do material. Ao menos isto não aconteceu nas cinco exibições públicas já realizadas, nem foi relatado nada neste sentido com mais de cinco anos e meio de veiculação no YouTube. 




São executadas na trilha sonora as seguintes músicas:


  • "Homenagem a Noel" (Moreira da Silva) Moreira da Silva, PolyGram, 1979
  • "Choro" (Noel Rosa) Luiz Otávio Braga, Henrique Cazes e Caola Eldorado, 1983
  • "Conversa de Botequim" (Vadico - Noel Rosa) Moreira da Silva, Odeon, 1966
  • "Três Apitos" (Noel Rosa) MPB-4, Philips, 1974
  • "Feitio de Oração" (Vadico - Noel Rosa) executada por Alcyr Pires Vermelho ao piano (inédita)
  • "Com que Roupa?" (Noel Rosa) executada por Alcyr Pires Vermelho ao piano (inédita)
  • "Laura" (Alcyr Pires Vermelho - João de Barro) executada por Alcyr Pires Vermelho ao piano (inédita)
  • Na Pavuna" (Almirante - Homero Dornelas) cantada à capela por João de Barro (inédita)
  • "Prato Fundo" (Noel Rosa - João de Barro) cantada à capela por João de Barro (inédita)
  • "Feitio de Oração" (Vadico - Noel Rosa) intérpretes não-identificados
  • "Feitiço da Vila" (Vadico - Noel Rosa) Aracy de Almeida
  • "Fita Amarela" (Noel Rosa) Aracy de Almeida
  • sábado, 4 de maio de 2013

    Baixe grátis o CD Noel Rosa Cantor - Vol. 2


    Hoje, completam-se 76 anos de ausência de Noel Rosa deste mundo. Fisicamente, claro, pois musicalmente não se pode falar de ausência de modo algum. Semanalmente, shows e rodas de samba de Norte a Sul deste país não deixam seu nome cair no esquecimento - tanto que, em recente enquete feita pelo site iG, Noel foi eleito o maior compositor de samba de todos os tempos, à frente de nomes como Cartola e Nelson Cavaquinho.

    Não poderia ser mais oportuno, portanto, o momento para lançar este CD virtual em que completamos a relação de músicas gravadas por Noel Rosa que são de sua autoria exclusiva, e que portanto se encontram em domínio público, tanto as composições quanto os fonogramas, podendo ser livremente distribuídos.

    São 13 músicas, que cobrem o período 1930-36. O CD inicia com as duas únicas regravações que Noel fez - a de "Com que Roupa", fazendo os contracantos para I.G.Loyola, que comprara o samba, e a de "Cordiais Saudações", com Noel acompanhado pelo Bando de Tangarás. O CD Noel Rosa Cantor - Vol. 1 ( http://noelrosa100.blogspot.com.br/2011/08/baixe-as-primeiras-gravacoes-de-noel.html) inclui as primeiras versões dos sambas.

    Destacam-se ainda na seleção clássicos como "São Coisas Nossas", "Quem Dá Mais?", dois duetos com o parceiro Ismael Silva (em "Seu Jacinto" e "Quem Não Dança"), "Onde Está a Honestidade?", "Você Vai se Quiser" (a única música tendo como inspiradora Lindaura, esposa de Noel) e, ao final, uma jóia rara. "Quem Ri Melhor" reuniu pela única vez num estúdio Noel, Pixinguinha e Cartola.

    Como tinha que gravar duas músicas para o suplemento de Carnaval da Victor para 1937, Noel propôs a Cartola reunirem os melhores ritmistas da Mangueira, criando-se assim o grupo Reis do Ritmo, formado por Cartola, Preguiça, Nego e Ataliba, mais as pastoras Neuma (sim, a famosa Dona Neuma!), Olicéia, Ruth, Ornélia e Crisola, que no estúdio se juntaram à orquestra de Pixinguinha e ao coro formado por Ciro Monteiro, Odete Amaral e Almirante. No dia 18 de novembro de 1936, gravaram "Quem Ri Melhor" e "Quantos Beijos" (parceria de Noel com Vadico); foram as últimas gravações de Noel Rosa.

    Em duas faixas  deste CD virtual,   "Onde Está a Honestidade?" e "Arranjei um Fraseado", Noel atuou também como instrumentista, junto a seu grupo Turma da Vila.

    O pacote de download inclui ainda uma charge de autoria do próprio Noel Rosa (a que abre este post, talvez seu desenho mais famoso) e um texto inédito do editor deste blog, Fabio Gomes, falando sobre Noel como intérprete da própria obra, além da ficha técnica da gravações.

    ***

    CD Noel Rosa Cantor - Vol. 2

    13 faixas (Com que Roupa/2ª versão - Cordiais Saudações/2ª versão - São Coisas Nossas - Mulher Indigesta - Quem Dá Mais? - Coração - Seu Jacinto - Quem Não Dança -    "Onde Está a Honestidade?" - "Arranjei um Fraseado" - João Ninguém - Você Vai se Quiser - Quem Ri Melhor)

    MP3 128 Kbps, 44 KHz

    Duração - 37:42




    Leia trecho do texto inédito de Fabio Gomes sobre Noel Rosa que acompanha o CD:


    A obra gravada do Poeta da Vila (...) aponta em duas direções. Numa, ao fazer 21 parcerias vocais, Noel mostrou-se um artista do seu tempo: como cada disco tinha apenas duas músicas, e muitos cantores lançavam vários discos por ano, esses duetos ocasionais eram muito comuns. Noutra, ao gravar regularmente suas composições, o que era raro na época, Noel antecipou o que é quase uma regra hoje, quando são poucos os artistas exclusivamente cantores.

    terça-feira, 30 de abril de 2013

    Noel Rosa eleito o maior compositor de samba em enquete online



    Em enquete online promovida pelo site iG, Noel Rosa foi eleito o maior compositor de samba da História, sendo seguido de perto por seu parceiro Cartola - a diferença dos dois foi de apenas 9 votos. O Poeta da Vila e o mangueirense polarizaram a votação, que ainda teve outros nomes também nascidos no começo do século passado.

    A relação incluía outros parceiros de Noel, como Ary Barroso e Ismael Silva. A mim, chama a atenção a pouco expressiva votação de Nelson Cavaquinho, cujo centenário se comemorou recentemente e cujos sambas sempre estão presentes nas rodas de Norte a Sul deste Brasil. 

    segunda-feira, 1 de abril de 2013

    Dia de relembrar "Festa no Céu"




    Vamos relembrar hoje uma das primeiras gravações de Noel Rosa - embora a toada "Festa no Céu" seja o lado A de seu primeiro disco solo, lançado em 1930, quando ele ainda integrava o Bando de Tangarás, foi a rigor a segunda composição sua que gravou em estúdio (a primeira havia sido "Minha Viola", outra toada, que ocupou o lado B do mesmo disco). A composição e a gravação já se encontram em domínio público. 

    Noel se inspirou em uma conhecida fábula, em que um urubu, a caminho de uma festa no céu, pára numa lagoa para conversar com seu amigo sapo. Ele, mais um esquilo e uma tartaruga, se mostram interessados em ir pra festa, mas o urubu esclarece que o evento é só para aves, e que outros bichos não seriam admitidos. Afinal, já que às aves é dado voar, e elas vêem o mundo de cima, isso lhes daria uma posição superior aos outros bichos. Indignados com a discriminação, o esquilo deu a ideia de eles se esconderem dentro do bojo da viola do urubu, enquanto ele foi buscar uma carniça para comer no caminho.  

    Mesmo estranhando o peso da carga no restante da viagem, o urubu seguiu pro céu, onde se esbaldou na festa. O barulho era tamanho que todos os bichos em terra começaram a gritar, berrar, zunhir, azurrar, balir etc. Já na festa, a presença do sapo, do esquilo e da tartaruga chamava a atenção, mas quando alguém perguntava como eles tinham chegado ali, desconversavam e ficava tudo por isso mesmo.

    Bom, acabada a festa, os três voltaram a se esconder na viola do urubu, mas foram traídos pelo ronco do sapo. O urubu, olhando pelo buraco do tampo, os surpreendeu e sacudiu a viola, para que caíssem. O esquilo conseguiu planar até o chão, o sapo pulou pra dentro da lagoa, porém a tartaruga não foi tão feliz: caiu sobre uma rocha, de costas, rachando seu casco todo.

    Isso mobilizou a ajuda dos bichos da floresta, que vieram ajudar a consertar seu casco. O porco-espinho deu um espinho, que serviu como agulha, e o fio da teia da aranha serviu como linha. É por isso que hoje todas as tartarugas têm o casco remendado. 

    Curiosamente, nenhum desses bichos é citado na letra. A referência à fábula é mais conceitual, digamos. 

    Já sobre a publicação da música hoje, não dá pra entrar em detalhes, afinal estragaria pra quem não conhece a letra :)


    "FESTA NO CÉU" (toada)

    (Noel Rosa)

    Noel Rosa com conjunto

    Parlophon 13.185-A (matriz: 3654)

    Lançamento: agosto de 1930



    Baixe aqui

    segunda-feira, 11 de março de 2013

    Noel Rosa é homenageado em sarau em Fortaleza

    No dia 5, recebemos um e-mail do leitor Wanderley Cavalcante, de Fortaleza-CE, contando do sarau em homenagem a Noel Rosa realizado lá no dia 2, sábado. 

    O evento aconteceu no quintal de uma residência particular e reuniu 17 pessoas. Porém, dado o vivo interesse que a obra de Noel segue despertando na mente dos brasileiros, mais de 100 pessoas voltaram pra casa sem ter como acompanhar o evento, devido às dimensões do local. 

    Dividimos com vocês o criativo convite do evento, em frente e verso (clique para ampliar). 




    quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

    Flávio Bala lança CD Noel Rosa ao Entardecer

    O selo SESC SP lançou o CD Noel Rosa ao Entardecer, do saxofonista Flávio Bala.  No vídeo abaixo, publicado no YouTube no dia 7 de janeiro, o músico diz que notou que a maioria das releituras da obra do Poeta da Vila é cantada, sendo as instrumentais em menor número, daí seu interesse em homenagear Noel, que Bala ouve desde sempre.

    No vídeo, ele sola ao sax "Último Desejo", e comenta a gravação de "Palpite Infeliz" com o samba ao fundo. O CD, além de ter as infalíveis "Feitio de Oração", "Feitiço da Vila" e as já citadas, tem o mérito de incluir sambas não tão revisitados, mas igualmente belos, como "Mentir" e "Onde Está a Honestidade". 


    Estátua de Noel Rosa em Vila Isabel é depredada

    Foto: TV Record

    Novamente a estátua de Noel Rosa com um garçom na esquina do Boulevard 28 de Setembro com Rua São Francisco Xavier, em Vila Isabel (Rio de Janeiro), sofre com a ação de vândalos. Foi levada a cadeira na qual muitos fãs e turistas sentavam para tirar um foto "ao lado" de Noel. Em setembro, já havia sumido o copo de cerveja do compositor. Ações semelhantes já retiraram os óculos da estátua de Carlos Drummond de Andrade, também no Rio, e o livro que Drummond estaria entregando a Mario Quintana, esta em Porto Alegre.

    No caso do livro da estátua gaúcha, feita pelo escultor Xico Stockinger, houve a restauração, o livro voltou às mãos de Drummond. Já em relação às peças subtraídas da estátua de Noel, a Prefeitura do Rio de Janeiro irá orçar a reposição, sem arriscar prever quando o conjunto ficaria completo novamente. 

    Outra medida que a Prefeitura estuda é a colocação de câmeras de vigilância, para impedir ou ao menos procurar punir os atos de vandalismo. O sistema já protege estátuas em Copacabana e na Praça 15, no Centro. 

    A estátua retrata o samba "Conversa de Botequim" (Noel Rosa - Vadico), cuja letra consta numa folha aberta sobre a mesa. Obra do artista plástico Joás Pereira Passos, foi inaugurado no dia 22 de março de 1996. 

    segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

    Noel Rosa, 102 anos

    O compositor Noel Rosa nasceu no Rio de Janeiro no dia 11 de dezembro de 1910, mas seu nome não deixa dúvidas: a família esperava que ele nascesse no dia 25. Em função disso, resolveu batizá-lo como Noël, ou seja, Natal em francês. Na época, embora naturalmente não houvesse como saber o sexo do bebê antes do nascimento, Marta e Manoel de Medeiros Rosa estavam certos de que teriam um menino. Influiu na escolha o amor que o pai dedicava à cultura francesa.



    Camiseta da grife Vestindo Arte, de Belém (PA)


    A antecipação do parto é em geral atribuída pelos biógrafos de Noel à Revolta da Chibata, movimento dos soldados da Marinha, liderado por João Cândido, que pedia o fim dos castigos corporais naquela Arma. A revolta começara em novembro, durara quatro dias e aparentemente se encerrara com a promessa do governo de acabar com o castigo, anistiando os revoltosos. Mas, como vários marinheiros foram expulsos da corporação ou presos, a luta recomeçou na noite de 9 de dezembro, com a tomada do Batalhão Naval pelos revoltosos. Forças rebeldes e do governo bombardearam-se, chegando a atingir a população civil com balas perdidas (a coisa vem de longe). O pânico tomou conta da capital federal. Foi em meio a esse clima que Marta deu à luz seu filho, preferindo manter o nome escolhido: Noel.

    Noel Rosa e o Natal

    Dois estudiosos da vida de Noel, os autores de Noel Rosa, uma Biografia, João Máximo e Carlos Didier, consideram o desinteresse do compositor pela comemoração do Natal uma ironia com seu próprio nome. Mas era a realidade: todo ano sua mãe, Marta, armava árvore e presépio no chalé da família em Vila Isabel e Noel nem aí. Dizia, para justificar-se:

    - Para que esperar um ano para se dar presente a quem se gosta?

    Após o sucesso de "Boas Festas", de Assis Valente, em 1933, vários compositores elegeram o Natal como tema de canções, o que não chegou a atrair o interesse de Noel Rosa, que nunca compôs sobre o assunto. 

    Foi pela época do Natal de 1935 que Noel soube que seria papai. Sua esposa, Lindaura, esperava um filho. Poucos meses depois, porém, ela perdeu a criança, ao cair da goiabeira do quintal do chalé.

    domingo, 14 de outubro de 2012

    Pedro Corrêa do Lago revela manuscrito inédito de Noel Rosa


    O cartão acima, manuscrito por Noel Rosa, deve datar de 1936. Assim estimou Pedro Corrêa do Lago ao publicar o documento em sua coluna "Questões Manuscritas", no site da revista Piauí, em 9 de outubro (veja aqui a publicação original -  http://revistapiaui.estadao.com.br/blogs/questoes-manuscritas/geral/cem-mil-reis).

    No bilhete, Noel pede a seu editor Mangione o adiantamento de 100 mil réis para custear seu tratamento contra a tuberculose, doença diagnosticada em novembro de 1934 e que acabou por vitimá-lo em maio de 1937. 

    (Esses pedidos de adiantamento eram comuns na época, baseavam-se no lucro que seria gerado pela obra editada. No caso, como ainda hoje, o autor delegava a alguém - um editor - a responsabilidade de fiscalizar o correto uso de sua composição. Para se remunerar, o editor ficava com um percentual dos direitos autorais que a obra gerava. Porém, como lembrou Mario Lago em suas memórias, era comum também o editor dar um valor a título de adiantamento, a música não estourar e ficar por isso mesmo, já que não haveria como o compositor restituir o valor adiantado.)

    No artigo, Corrêa do Lago menciona a coincidência do valor pedido por Noel com o título de um samba seu, de parceria com Vadico, intitulado justamente "Cem Mil-Réis", que ele gravou nesse mesmo ano de 1936. Ao que parece, trata-se apenas de uma coincidência, já que pelos termos do bilhete ("Continuo doente e sem poder trabalhar."), podemos supor que ele foi escrito entre março (quando Noel gravou, além deste samba, o clássico "De Babado") e novembro (quando, já se sentindo melhor, fez dois discos com Marília Batista) - ou seja, o samba já estaria gravado quando Noel escreveu o bilhete. Vamos ouvir. 

    "CEM MIL-RÉIS" (samba)
    (Vadico - Noel Rosa)
    Com Marília Batista e Regional de Benedito Lacerda
    Odeon 11.337-B (matriz: 5275)
    Data da gravação: 5/3/1936
    Lançamento: abril de 1936






    sexta-feira, 4 de maio de 2012

    75 anos sem Noel Rosa

    Eu sei, você já ouviu isso: é espantoso constatar que Noel Rosa, em menos de 27 anos de vida, foi autor de mais de 200 músicas, boa parte delas obras-primas. O espanto é maior ainda se pensarmos que, na real, de seus 26 anos, ele só compôs mesmo em 8 (1929 a 1937) - ou menos, porque fora viagens para shows, ele fez vários períodos de repouso para se tratar da tuberculose, que o vitimou em 4 de maio de 1937.

    Boa parte de sua fantástica produção caiu em domínio público a partir de 1º de janeiro de 2008. O que isso quer dizer exatamente? Significa que tudo o que Noel Rosa escreveu sozinho (como "Com que Roupa?") ou com parceiros que morreram antes dele (é o caso de "Queixumes", parceria com Henrique Brito, falecido em 1935) poderá ser gravado em CD e incluído em shows e trilhas sonoras de filmes, shows e peças (entre outras utilizações possíveis) sem a necessidade de pagamento de direitos autorais ou consulta aos herdeiros do compositor. Isto porque já terá se cumprido o prazo de 70 anos que a lei nº 9610/98, que regula o direito autoral no Brasil, estipula para proteção da obra intelectual. Porém, obras com parceiros que tenham morrido depois de Noel (ou eventualmente ainda vivos) seguem protegidas: é o caso de "Pastorinhas", que Noel fez com João de Barro, falecido no final de 2006; esta obra só estará liberada em 2077!

    Provavelmente assistamos a partir do ano que vem, portanto, uma overdose positiva de shows e discos com músicas do autor de "Palpite Infeliz" - e creio que ela não acabe em seguida, como muitas vezes acontece, isto porque estaremos a dois anos do centenário de Noel, a ser comemorado em 2010.

    O fato tem grande repercussão devido ao conjunto da obra de Noel, de extrema qualidade e, digamos, em moldes similares aos da música posterior a ele. Nos últimos anos, a obra de vários compositores que foram expoentes em seu tempo também entraram em domínio público - podemos citar: Sinhô (2001), Nilton Bastos (2002), Ernesto Nazareth (2005) e Chiquinha Gonzaga e Zequinha de Abreu (2006) -, mas a repercussão foi escassa. Nilton tem obra quase toda em parceria com Ismael Silva (falecido em 1976) e Francisco Alves (morto em 1952), enquanto as composições de Nazareth, Chiquinha e Zequinha são predominantemente instrumentais. De Sinhô, pouco ou nada se toca além do "Jura".

    Impacto semelhante à liberação da obra de Noel no Brasil talvez só se encontre na Argentina, onde caiu em domínio público no ano passado a obra de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera (ambos desaparecidos em acidente aéreo em 1935).

     * Adaptado do publicado originalmente como "70 anos sem Noel Rosa", no site Brasileirinho - 28.04.07 
    Infelizmente a "overdose positiva" prevista no antepenúltimo parágrafo não se confirmou.

    domingo, 11 de dezembro de 2011

    Veja vídeo de Noel Rosa tocando violão em 1929


    Neste dia do 101º aniversário de Noel Rosa, vamos ver (ou rever) as únicas imagens dele que restam de sua atuação no Bando de Tangarás.

    Em setembro de 1929, o cineasta Paulo Benedetti rodou quatro curtas com o Bando de Tangarás (Almirante, Noel Rosa, João de Barro, Alvinho e Henrique Brito), em que o grupo cantava quatro músicas de autoria de Almirante que havia gravado recentemente em discos Odeon ("Anedotas" e "Galo Garnizé", em agosto) e Parlophon ("Vamos Falá do Norte" e "Bole-Bole", em setembro).

    Dos quatro, apenas este com "Vamos Falá do Norte" parece ter sido conservado, se constituindo então no único registro cinematográfico de Noel Rosa tocando - ele está à esquerda, de chapéu claro, tocando violão. O cantor é Almirante.

    O áudio utilizado, tanto em 1929 quando da reconstituição do filme, após sua descoberta em 1994, é o da gravação original do Bando de Tangarás.

    Almirante e Bando de Tangarás

    " VAMO FALÁ DO NORTE" (lundu)
    (Almirante)
    Parlophon 13.010-A (matriz: 2819)
    Lançamento: setembro de 1929



    sábado, 1 de outubro de 2011

    Baixe grátis o CD virtual Noel Rosa Compositor - Vol. 1


    Lançamos oficialmente hoje o CD virtual Noel Rosa Compositor - Vol. 1, reunindo as 13 gravações originais mais antigas de músicas de Noel Rosa que já estão em domínio público. É o único volume da série que traz parcerias, pois contém canções que Noel escreveu com parceiros que faleceram antes dele - Canuto, co-autor de "Esquecer e Perdoar", e Henrique Brito, que fez a melodia de "Meu Sofrer". Além deste, iremos lançar mais dois CDs com músicas de Noel na voz de outros cantores, além de mais um com ele próprio interpretando suas músicas.

    A seleção abrange o período 1930-1932 e documenta a passagem de Noel de um autor cujos intérpretes eram principalmente seus parceiros do Bando de Tangarás, para a de um compositor requisitado pelos principais cartazes da música brasileira. Integra o CD, inclusive, o samba que melhor representa esta passagem - "É Preciso Discutir", que Noel, com agudo senso de marketing, escreveu especialmente para ser gravado pela dupla Francisco Alves e Mário Reis.

    Este material encontra-se em domínio público, podendo portanto ser livremente distribuído, de acordo com a Lei do Direito Autoral em vigor no país. Você poderá baixá-lo aqui gratuitamente. Como retribuição, pedimos apenas uma mensagem em uma de suas redes sociais (Twitter, Facebook ou Orkut), através do sistema PagSocial. Assim você nos ajuda a divulgar o blog e o lançamento, para que mais gente conheça nossas iniciativas em prol da memória de Noel Rosa.

    O pacote de download inclui a charge de autoria do próprio Noel que ilustra este post, a ficha técnica das gravações e um texto inédito meu, comentando o repertório selecionado.

    CD Noel Rosa Compositor - Vol. 1

    13 faixas

    Meu Sofrer - Gastão Formenti
    Eu Vou pra Vila - Almirante com Bando de Tangarás
    Dona Aracy - Almirante com Bando de Tangarás
    Por Esta Vez Passa - I. G. Loyola
    Agora - Lucilla
    Esquecer e Perdoar - Canuto
    Pesado Treze - Paulo Netto de Freitas
    É Preciso Discutir - Francisco Alves e Mário Reis
    Não me Deixam Comer - Pinto Filho
    Não Brinca, Não - Almirante com Bando de Tangarás
    Nuvem que Passou - Francisco Alves
    Mulato Bamba - Mário Reis
    Mentir - Mário Reis

    Formato - MP3 128 Kbps, 44 KHz

    Duração - 34:38


    ***
    Leia trecho do meu texto inédito que acompanha o CD:

    "Considero importante a difusão desta parcela da obra de Noel Rosa, afinal foram os 113 fonogramas lançados de 1928 até 1937 de que Noel Rosa era autor, sozinho ou com parceiros, que o consagraram como um compositor excepcional ainda em vida, um reconhecimento que sabemos ser raro. De toda sua obra póstuma, apenas “Três Apitos”, lançado por Aracy de Almeida em 1951, tornou-se um clássico da música brasileira."

    quinta-feira, 29 de setembro de 2011

    Ângela Maria canta Noel Rosa em coletânea


    A coletânea em CD duplo Ângela Popular Brasileira, com repertório selecionado pelo jornalista Mauro Ferreira, traz duas músicas de Noel Rosa no volume 2: "Último Desejo" em gravação de 1970 e "Feitio de Oração" (parceria com Vadico) em gravação de 1971. Em ambas, o acompanhamento é com orquestra.

    O lançamento sai pela Microservice e vasculhou o repertório que a Ângela Maria gravou para a extinta Copacabana entre os anos 1950 e 70.

    terça-feira, 27 de setembro de 2011

    Aracy canta Noel em Aracy De Almeida - Ao Vivo E A Vontade


    Há algumas semanas, fui surpreendido com a publicação deste LP no (extinto) blog Toques Musicais, do mineiro Augusto TM. A surpresa é porque se trata de um disco de Aracy de Almeida integralmente dedicado a Noel Rosa e que não é citado no livro Noel Rosa - Uma Biografia, de João Máximo e Carlos Didier.


    O disco foi gravado ao vivo na Lira Paulistana (São Paulo), em 30 de agosto de 1980, em show produzido pelos roqueiros Teco Terpins (do grupo Joelho de Porco) e Zé Rodrix, que para acompanhar a cantora (então praticamente aposentada dos palcos) chamaram um regional familiarizado com seu repertório. Não houve ensaio. E - o mais curioso e talvez lindo de tudo - em nenhum momento foi pedido pelos produtores ou há algum comentário no texto de Rodrix (reproduzido abaixo - clique para ampliar) de que só se devesse cantar Noel. Aracy podia cantar o que quisesse - chegou a brincar no começo do show dizendo que não tinha tempo de aprender músicas novas - e tudo o que ela quis cantar neste dia foi Noel!



    O LP só foi lançado em 1988, ano da morte de Aracy, e nunca saiu em CD. Sua voz já não era a mesma do auge da carreira, evidentemente (a respiração está visivelmente comprometida), mas com certeza ganhamos muito em emoção. Aqui e ali, os habituais deslizes da cantora em relação às letras não chegam a incomodar, mas há um reparo importantíssimo a fazer sobre a entrevista que ocupa a faixa 5 - Aracy afirma que Wilson Batista teria composto "Lenço no Pescoço" para provocar Noel - o que jamais foi mencionado em qualquer biografia dos dois que conheço e, honestamente, eu não acredito que isto corresponda à verdade.

    Uma observação: inicialmente, a versão do LP disponilbilizada aqui continha a faixa "Último Desejo" duplicada, como pois era assim que estava no Toque Musical. Alertados pelo nosso leitor Sidnei, obtivemos outra versão, em que o LP estava correto, efetuando a substituição aqui em 29.7.12, 

    O livro de Máximo & Didier não menciona outras versões ao vivo de Aracy para nenhuma das músicas incluídas no disco. Neste ponto, o destaque total fica para "As Pastorinhas", que a artista nunca gravou em estúdio.

    AO VIVO E À VONTADE
    Aracy de Almeida - 1980/1988 - Continental

    1 - Feitio de Oração (Vadico - Noel Rosa)
    2 - Três Apitos (Noel Rosa) obs: no começo da faixa há citação de Palpite Infeliz
    3 - Com que Roupa (Noel Rosa)
    4 - O Orvalho Vem Caindo (Noel Rosa - Kid Pepe)
    5 - Entrevista
    6 - As Pastorinhas (Noel Rosa - João de Barro)
    7 - Último Desejo (Noel Rosa)
    8 - Palpite Infeliz (Noel Rosa)
    9 - Pela Décima Vez (Noel Rosa)
    10 - Não Tem Tradução (Noel Rosa)
    11 - Conversa de Botequim (Noel Rosa - Vadico)
    12 - Até Amanhã (Noel Rosa)

    Formato: MP3 - 128 kbps - 44 kHz
    Duração - 34:23

    Download

    quinta-feira, 8 de setembro de 2011

    Já está pronto nosso novo CD virtual: "Noel Rosa Compositor - Vol. 1"


    O segundo CD virtual da nossa coleção dedicada às gravações originais das músicas de Noel Rosa já está pronto! Assim como o primeiro (Noel Rosa Cantor - Vol. 1), este Noel Rosa Compositor - Vol. 1 reúne somente material que já se encontra em domínio público, trazendo músicas de autoria exclusiva de Noel ou com parceiros que faleceram antes dele (casos de Canuto, co-autor de "Esquecer e Perdoar", e Henrique Brito, que fez a melodia de "Meu Sofrer").

    A seleção abrange o período 1930-1932 e documenta a passagem de Noel de um autor cujos intérpretes eram principalmente seus parceiros do Bando de Tangarás, para a de um compositor requisitado pelos principais cartazes da música brasileira. Integra o CD, inclusive, o samba que melhor representa esta passagem - "É Preciso Discutir", que Noel, com agudo senso de marketing, escreveu especialmente para ser gravado pela dupla Francisco Alves e Mário Reis.

    A lista das músicas, com seus respectivos intérpretes, é: "Meu Sofrer" (Gastão Formenti), "Eu Vou pra Vila", "Dona Aracy" e "Não Brinca, Não" (Almirante), "Por Esta Vez Passa" (I.G. Loyola), "Agora" (Lucila), "Esquecer e Perdoar" (Canuto), "Pesado Treze" (Paulo Netto de Freitas), "É Preciso Discutir" (Francisco Alves e Mário Reis), "Não me Deixam Comer" (Pinto Filho), "Nuvem que Passou" (Francisco Alves), "Mulato Bamba" e "Mentir" (Mário Reis). O pacote inclui a charge de autoria do próprio Noel que ilustra este post, a ficha técnica das gravações e um texto inédito meu, comentando o repertório selecionado.

    A coletânea será disponibilizada para download aqui no blog em 1º de outubro. Por enquanto, ela estará disponível apenas para os primeiros 10 inscritos da segunda turma de setembro do meu Curso à distância de Jornalismo Cultural.

    segunda-feira, 29 de agosto de 2011

    Música do Dia: 'Samba da Boa Vontade'


    Nesta segunda, completam-se 80 anos da primeira gravação deste samba, a segunda parceria de Noel Rosa com João de Barro (ao lado em foto de Mário Luiz Thompson), então seu colega no Bando de Tangarás (a primeira foi "Lataria", tendo como co-autor Almirante, o principal vocalista do Bando, do qual faziam parte ainda Alvinho e Henrique Britto). Mais tarde, ambos escreveriam "Prato Fundo" (1933) e "Linda Pequena" (1934), que em 1937, já após o falecimento de Noel, foi transformada em "Pastorinhas" por João de Barro (ouça todas as gravações originais destas músicas em http://www.brasileirinho.mus.br/noelrosa/radio2.html)

    Uma anotação de Almirante na "Discografia" que encerra seu livro No Tempo de Noel Rosa (Ed. Francisco Alves: Rio de Janeiro, 1977, 2ª ed, pág. 226), dá conta de que este samba foi cantado no "Festival Parlophon". À página 97, ele informa que o evento aconteceu em 1º de agosto de 1931 no Teatro Cassino Beira-Mar (então situado à Av. Rio Branco, 154). O biógrafo de Almirante, Sérgio Cabral, acrescenta (em No Tempo de Almirante, Ed. Francisco Alves: Rio de Janeiro, 1990, 1ªed, pág. 78) que no mesmo espetáculo tomaram parte os seguintes outros contratados da gravadora: Elisa Coelho (cantora), Eduardo Souto, Ary Barroso e Carolina Cardoso de Menezes (pianistas), Luperce Miranda (bandolim) e Tute (violão).


    Getúlio Vargas com o Ministério do Governo Provisório - 1931
    Em "Samba da Boa Vontade", Noel e João de Barro ironizam a falta de ação do Governo Provisório de Getúlio Vargas, que chegara ao poder através da Revolução de 1930, ocorrida em outubro do ano anterior, e em todo esse tempo pouco fizera mais que mudar a ortografia (fato comentado em "Picilone", o outro lado do disco, que você pode ouvir no CD Noel Rosa Cantor - Vol. 1, clique no link para baixar), preparava-se para instituir o horário de verão (satirizado em breve em "O Pulo da Hora" e "Por Causa da Hora") e pedir aos brasileiros que tivessem boa vontade e mantivessem a alegria... Outro fato da época citado na letra é a decisão, adotada pelo Governo Provisório em julho, de mandar queimar as sacas de café cujos estoques abarrotavam nossos armazéns, já que, em função da quebra da bolsa de Nova York em 1929, o preço do nosso maior produto de exportação à época não parava de cair. Estima-se que foram queimados mais de 3 milhões de sacas!

    "SAMBA DA BOA VONTADE" (samba)
    (Noel Rosa - João de Barro)

    Noel Rosa e João de Barro e Bando de Tangarás
    Parlophon 13.344-A (matriz: 131191)
    Data da gravação: 29/8/1931
    Lançamento: setembro de 1931






    Café, óleo de Cândido Portinari (1935)

    quarta-feira, 24 de agosto de 2011

    Tem Noel na primeira experiência de venda de CDs pelo Facebook no Brasil

    A Mills Records, numa experiência pioneira no Brasil, começou a vender o álbum Samba Popular Brasileiro, do cantor Augusto Martins, através do Facebook - eu ao menos não tinha conhecimento de outra iniciativa similar.

    É possível ouvir o disco, comprá-lo inteiro (a R$ 10,99) ou adquirir separadamente, a R$ 1,19, dez das onze faixas - sim, porque há uma que pode ser baixada de graça, justamente uma de Noel Rosa, "Feitio de Oração", sua primeira parceria com Vadico (infelizmente omitido do crédito da faixa). Para qualquer destas operações, você primeiro precisa curtir a página Music da fanpage da Mills.

    Baixar a faixa é bem simples. Curtida a página, abre-se uma caixa de diálogo que informa, em inglês, que a Mills requer o endereço do seu e-mail em troca do download, e pergunta se você concorda com isso. Clique em OK e o download começa imediatamente (se você não tem cadastro no ONErpm, ou não o integrou ao Facebook, precisa concordar também com isso antes de baixar - em seguida, você recebe um e-mail do ONErpm).

    O áudio está em MP3 - VBR - 44 KHz e dura 4:47.

    segunda-feira, 22 de agosto de 2011

    Música do Dia: "Não Tem Tradução" - Francisco Alves


    Amanhã, 23 de agosto, completam-se 78 anos do dia em que Francisco Alves gravou pela primeira vez um samba de Noel Rosa que se tornou um clássico: "Não Tem Tradução", também conhecido como "Cinema Falado" (teria sido inclusive a inspiração para o único filme dirigido por Caetano Veloso, Cinema Falado, lançado em 1986). É um dos marcos da linha satírica de Noel.

    A segunda estrofe deste samba tem sido gravada com um erro em relação ao original. Não sei bem quando, algum intérprete resolveu se referir a gafieira, acabando por incorporar à letra o termo que não consta do original. O que Noel escreveu e Chico gravou é: "A gíria que o nosso morro criou/ Bem cedo a cidade aceitou e usou/ Mais tarde o malandro deixou de sambar,/ Dando pinote/ E só querendo dançar o fox-trot!"

    Por se tratar de composição e fonograma em domínio público, você pode baixar livremente esta gravação. Nós só "cobramos" uma mensagem divulgando o blog em suas redes sociais :)

    "NÃO TEM TRADUÇÃO " (samba)
    (Noel Rosa)

    Francisco Alves com Orquestra Copacabana
    Odeon 11.057-B (matriz: 4715)
    Data da gravação: 23/8/1933
    Lançamento: setembro de 1933